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Direitos Humanos
Democracia

A capacidade das instituições na defesa da democracia

Encontro realizado no dia 24 de março

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FronteirasEducação Crítica

Publicado em 25 de março de 2026

No último encontro do Fronteiras, realizado no dia 24 de março, discutimos os movimentos antidemocráticos que surgiram nos últimos anos e suas consequências para as políticas de participação social. Em especial, refletimos sobre a capacidade das instituições de garantir a continuidade democrática e sobre a necessidade de reinvenção de novas instituições capazes de ampliar a democracia. Ao longo do encontro, debatemos como esses movimentos podem representar o início de um ciclo mais amplo de ataques à democracia, bem como os desafios atuais para a construção de consensos mínimos.

As discussões partiram da análise do artigo “Entre o passado e o futuro: a disputa em torno da participação”, de Leonardo Avritzer e Priscila Zanandrez, no qual os autores examinam as oscilações democráticas no Brasil, destacando períodos de expansão, retração e retomada da participação social. Segundo eles, especialmente a partir de 2016, o país vivenciou um processo de desdemocratização, marcado pela desinstitucionalização de espaços participativos e por disputas que ultrapassaram o campo das políticas públicas (policy) e que buscaram atingir a própria estrutura política (politics), evidenciando tensões profundas na democracia brasileira.

Também discutimos o verbete “Fascismo”, de Lucas de Alvarenga Gontijo e Mariana Ferreira Bicalho, presente no Dicionário de Direitos Humanos. O verbete caracteriza o fascismo como uma ideologia autoritária que nega o pluralismo, concentra poder e promove a exclusão de grupos considerados inimigos, frequentemente mobilizando afetos como medo, ódio e ressentimento para sustentar práticas políticas antidemocráticas.

A articulação entre os dois textos permitiu refletir a conexão entre os processos de enfraquecimento da participação social, os ataques às instituições democráticas e o fortalecimento de dinâmicas de caráter autoritário. Vivenciamos um período em que informação e entretenimento se confundem, e afetos negativos e segregadores predominam na arena pública. As novas formas de linguagem proporcionadas pelas redes sociais e por outros espaços virtuais permitem que discursos de ódio e estratégias de captura da subjetividade atravessem a comunicação, direta e indiretamente, constituindo modos de pensar, sentir e agir. Para além do fortalecimento das instituições existentes, é necessário pensar em novas linguagens e formatos que ampliem a participação e fortaleçam a democracia.

Vamos continuar a discussão no próximo encontro, que já tem data marcada: 28/04.

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